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O Que é Harmonia (modal, tonal, atonal e funcional)

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O que é harmonia?

Segundo o Dicionário Michaelis, harmonia significa ´Arte da formação de acordes e da relação existente entre eles´, ´Sucessão de acordes conforme os princípios da modulação´, ´Sequência de sons agradáveis aos ouvidos´ e ´Melodia cantada em terças nas congadas´. Diante disso, podemos dizer que harmonia tem relação com a arte de formar acorde, desde que observada a relação entre estes e desde que obedecidos alguns princípios estabelecidos na formação do conhecimento da harmonia e da música, o que deve resultar em uma sequência de sons agradáveis ao ouvido. As harmonias modal, tonal, atonal e funcional possuem outros significados baseados nos que acabamos de ler, conforme veremos a seguir.

Em outras palavras, a harmonia compreende uma gama de sons simultâneos ou sobrepostos, o que resulta na questão da verticalidade (várias notas tocadas simultaneamente). A harmonia é o contraposto da melodia, já que esta resulta na sequência de sons subsequentes de apenas uma nota após a outra. A harmonia tem como resultado a geração de acordes, que possuem suas regras e particularidades específicas e que serão objeto de estudo mais adiante.

A harmonia poderá ser percebida através da execução combinada de vários instrumentos melódicos, quando estes executam um determinado arranjo (exemplo: naipe de sopros de uma big band), ou ainda poderá ser percebida quando da execução de acordes em um dado instrumento harmônico: piano, violão, guitarra, cavaquinho, ukulele, viola caipira, bandolim, gaita, acordeão ou sanfona, etc.  

A seguir, serão abordadas explanações sobre os quatro tipos de harmonia mais conhecidos: modal, tonal, atonal e funcional.

Harmonia modal

A harmonia modal se diferencia da harmonia tonal e funcional pelo fato de ser baseada nos modos, enquanto que as harmonias tonal e funcional têm as tonalidades maiores e menores como premissa. As sensações tonais e emocionais da música modal são ocasionadas pela utilização dos modos, que são escalas musicais com estrutura intervalar diferenciada entre si.

A harmonia modal se baseia em uma progressão de acordes organizados dentro de um modo específico, sendo que tal modo se apoia em uma sequência de acordes que, quando organizados no contexto de determinada melodia, se combinam. A depender do modo utilizado na execução de determinada música, a progressão de acordes que alicerçam esse modo sofrerá mudanças e relação à estrutura modal de uma outra sequência harmônica baseada em um outro modo.

A harmonia baseada nos modos está diretamente ligada a canções compostas para o folclore, bem como àquelas que vão de encontro à tradição de determinado povo. A exemplo da utilização da harmonia modal temos o jazz modal, ora popularizado por John Coltrane e Miles Davis na década de 1960. Outra exemplificação da utilização da harmonia modal remete à aplicação no rock progressivo e em algumas composições da música clássica contemporânea.

A harmonia modal se diferencia da harmonia tonal devido à sua maior complexidade, porém, por outro lado, ela proporciona aos executores uma maior liberdade para expressar a criatividade, pois, pelo fato de os acordes não pertencerem a uma dada tonalidade, proporcionam a utilização de diferentes modos e progressões de acordes.

Harmonia tonal

Na harmonia tonal, os acordes se formam a partir das notas utilizadas na tonalidade escolhida. Tais acordes possuem as funções tônica, dominante e subdominante. Os acordes que possuem função tônica geram sensação de repouso e estabilidade; já os acordes dominantes se caracterizam por possuírem função de tensão, sendo que geralmente se resolvem em um acorde de função tônica. Já os acordes de função subdominante possuem a característica de proporcionarem uma sensação de transição.

A harmonia tonal teve origem nos séculos XVII e XVIII, sendo empregados na música do ocidente (veja: O que é música?). Baseia-se na utilização de tonalidades maiores e menores ao utilizarem as sete notas musicais de determinada escala. Os acordes gerados pelos graus da escala escolhida baseiam-se em uma nota de apoio ou principal, que chamados de tônica.

Ao permitir que compositores e músicos criem progressões que agradam ao ouvinte, a harmonia tonal foi bastante difundida pelo fato de proporcionar o surgimento de uma estrutura previsível e dotada de coesão, largamente empregada na música ocidental. O fato de obedecerem às regras de tonalidade constitui uma das principais características da harmonia tonal, empregada em vários gêneros musicais como o jazz, o rock e a música clássica.
(veja: O que é solfejo?)

Harmonia atonal

A harmonia atonal surgiu como desafio e contraposição à harmonia tonal e funcional, pois se constitui em um desafio para os ouvintes acostumados ao tonalismo e às músicas que utilizam as regras da harmonia funcional, já que evita seguir as regras relacionadas à resolução harmônica, bem como aquelas que obedeçam a uma dada progressão harmônica. Mais comumente, a harmonia atonal se apoia em uma atmosfera de tensão.

A harmonia atonal é utilizada para a composição de músicas que não estão relacionadas a tonalidade ou a um dado centro tonal; inexiste a tônica. Se difere da harmonia tonal pelo fato de os acordes gerados não se basearem uma escala diatônica, mas em escalas como a de tons inteiros, a cromática, dentre outras que não possuem relação com tonalidade.

Na harmonia atonal inexiste uma dada hierarquia ligada à tonalidade, além de ser muito comum a utilização de acordes que não possuem uma relação com regras como as da harmonia tonal e funcional. A harmonia atonal surgiu na música moderna e contemporânea e possui relação com a música serial.

Harmonia funcional

O sistema de combinação de acordes utilizado na harmonia funcional possui uma estreita relação com as regras da harmonia tonal, porém com nuances de conceitos mais elaborados que promovem uma certa sofisticação na composição. Se baseia na relação funcional entre acordes; isso quer dizer que a harmonia funcional valoriza a função harmônica desempenhada por cada acorde dentro de uma dada progressão.

Assim como na harmonia tonal, os acordes básicos relacionados à harmonia funcional também possuem três funções principais: tônica, dominante e subdominante, sendo que estes geram as mesmas sensações geradas pelos respectivos acordes utilizados na harmonia tonal. A harmonia funcional foi amplamente difundida em vários gêneros musicais da música ocidental, dentre eles o jazz, a bossa nova, a música brasileira, o pop, o rock, etc.

Podemos dizer que as regras utilizadas na harmonia funcional evoluíram a partir daquelas criadas para a harmonia tonal. Atualmente, a harmonia funcional encontra-se bastante difundida e possui diferenciação em relação à harmonia tonal, principalmente pelo modo utilizado para se desenvolver a análise de determinada composição.

Bibliografia

 
CHEDIAK, Almir. Harmonia e Improvisação, volume 1. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, 1986.
GUEST, Ian. Harmonia Método Prático, volume 1. São Paulo: Lumiar Editora, 2010.
MICHAELIS – Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. UOL, 2023. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=harmonia. Acesso em: 12 de março de 2023.
SCHOENBERG, Arnold. Harmonia (tradução: Marden Maluf). São Paulo: Editora UNESP, 2011.

Veja também:

O que é solfejo?
O que é música?
O que é estilo musical?