Música em Foco


O seu conhecimento musical PASSA por aqui!











O que é forma musical e como assimilar de maneira prática e eficaz

- Postado em Música popular por



A forma musical é um dos assuntos mais importantes quando falamos em música; e sua importância vai além da sua conceituação, pois a partir da prática empregada no ato de se executar determinada música advém a qualidade da própria execução de determinada música. Para o músico, tocar obedecendo a forma musical é mais que uma regra, ou seja, a importância de se valorizar a forma da música é algo que deve ser observado com um alto grau de cuidado por esse músico.

O ato de improvisar e de criar solos é algo que precede conhecer teoricamente a forma musical. É importante ter em mente que respeitar a forma da música é um dos artifícios para que se crie conexão com o ouvinte, já que improvisar sem perceber a sequência harmônia trilhada pelos acordes é algo comparado a caminhar no escuro, obviamente não enxergando o caminho.

Saber compreender a forma da música é artifício que funciona comparado com seguir um caminho que você já conhece bem. Saber a duração de cada acorde e a sequência formada por eles é primordial para que se alcance um bom desempenho na hora de fazer música.

Como assimilar a forma de uma música?

Para que se possa assimilar a forma de uma determinada música, devemos seguir alguns passos. Observe:

1 - Caso você esteja iniciando no estudo da forma musical, sugere-se que o exercício de aprendizado sobre a prática se dê utilizando músicas com poucos acordes. Por exemplo: músicas infantis, blues e outras músicas que possuam no máximo 5 acordes. Gradualmente vá incluindo outras músicas mais bem elaboradas em termos de quantidades de acordes nela existentes;

2 - Decorar e aprender os acordes da harmonia, observando as suas funções harmônicas; isso auxiliará no momento em que for preciso improvisar; toque os acordes prestando bastante atenção no caminho da harmonia; se possível, toque em mais 3 ou 4 tons a princípio (exemplo: se a música tiver no tom de C, toque em outros tons utilizando o ciclo das quartas quanto à tonalidade);

3 - Após a fase de reconhecimento e memorização dos acordes, toque as escalas de cada acorde, de preferência utilizando um acompanhamento, justamente para respeitar a forma da música; toque em seguida os arpejos de cada acorde em um outro momento do exercício de fixação. Começar praticando arpejos executando uma nota por tempo, no caso de uma música em 4/4, ou 2 notas por tempo, no caso de música em 2/4, é sempre uma boa alternativa de estudo. Com o passar do tempo faça variações (3, 4, 6 notas por tempo e mesclagens). Faça variações utilizando arpejos e acordes, inclusive tocando junto com o baixo de cada acorde (baixo nas tônicas, terças, quintas e, eventualmente, nas sétimas), no caso dos músicos violonistas, guitarristas, pianistas, tecladistas, cavaquinistas, etc. (de instrumentos harmônicos); já no caso dos músicos de instrumentos melódicos, exercite da mesma maneira como já dito até a fase de execução de acordes e arpejos, mas prestando atenção no tipo de cada um dos acordes da música. Observação importante: muito cuidado ao executar escalas de acordes e arpejos, pois exercitar no “sobe e desce” pode fazer com que o cérebro deixe de assimilar questões importantes que devem se notadas devido à presença do automatismo; é preciso fazer com que escalas e arpejos favoreçam a parte criativa do músico, inserindo elementos relacionados à técnica (ligados, staccatos, blends, efeitos, pausas, etc.). O músico deve saber diferenciar aquilo que é estudo baseado em técnica daquilo que vem a ser o produto final originado do seu estudo, que é a música propriamente dita;

4 - Após seguir os passos anteriores, busque deixar uma marca registrada em um determinado acorde ou em um grupo deles; isso pode ser feito utilizando frases características para cada um desses acordes ou grupos de acordes. Um recurso interessante para marcar um determinado acorde seria, por exemplo, adotar uma regra como: utilizar frases criadas com pentatônicas apenas quando surgirem acordes dominantes (é apenas um exemplo e uma sugestão. Você poderá adotar um outro artifício); outra maneira de “marcar” determinado trecho da música é elaborar um solo característico em uma parte que se considera a mais empolgante da música;

4.1 - Uma dica extra para violonistas e guitarristas: após chegar ao passo anterior, busque tocar arpejos e escalas usando as 4 cordas mais agudas do instrumento [ré (corda 4), sol (corda 3), si (corda 2) e mi (corda 1)], tocando os baixos com as 2 cordas mais graves (cordas 5 e 6), começando pelo primeiro tempo do compasso (revezando entre tônicas, terças, quintas e, eventualmente, sétimas); esse tipo de abordagem o auxiliará, também, na desenvoltura relacionada à exploração do braço do instrumento; e

5 - Nesse último passo temos uma questão importante a ser abordada, que é o que fica para o pós aprendizado depois de ter seguido os passos anteriores; como sugestão, após já solidificado o domínio da forma em relação a uma determinada música, novos caminhos devem ser explorados como: a) pensar em conexões de uma nota em relação a outra, como por exemplo usar cromatismo partindo da terça e chegando na quinta nota do acorde; b) buscar enfatizar o apoio em uma de tensão quando se tenta improvisar usando a escala de um dado acorde; e c) saber conectar as notas fazendo uso de técnicas, inclusive gerenciando os momentos de pausas.

Músicas fáceis que podem ser utilizadas para a prática do improviso e da assimilação da forma:


1. Pela Estrada Afora (João de Barro);
2. Asa Branca (Luiz Gonzaga);
3. Mulher Rendeira;
4. Meu Limão Meu Limoeiro;
5. Prenda Minha;
6. Marcha Soldado;
7. Oh! Minas Gerais;
8. Escravos de Jó;
9. Maria Bonita;
10. A Canoa Virou;
11. Boi da Cara Preta;
12. Sapo Cururu;
13. Cai, Cai, Balão;
14. Meu Limão, Meu Limoeiro;
15. Tocando em Frente (Almir Sater);
16. Gostava Tanto de Você (Tim Maia);
17. Samba da Bênção; e
18. O Que É Que a Baiana Tem.

Após ter se familiarizado com a prática da assimilação da forma utilizando músicas fáceis você terá aptidão para estudar utilizando músicas de harmonias um pouco mais bem elaboradas. Uma sugestão é que se passe a explorar os standards de jazz.